quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Instinto que influência o raciocínio e vice-versa

Recomendação de leitura para melhor compreensão deste texto:
Memória baseada nos sentimentos
Raciocínio humano

Instinto que influencia o raciocínio e vice-versa:
Compreender esta dinâmica é algo fundamental para entender como ocorre o processo de pensamento humano na prática. Ela é fruto da capacidade de associar informações, através do raciocínio, e marcá-las com sentimentos, através da memória. Trata-se da capacidade do instinto influenciar o raciocínio ou o raciocínio influenciar o instinto, que será classificada como tecnologia humana por, também, só ser encontrado em igual eficiência nesta espécie. Esta característica é a responsável por conciliar a ótima capacidade de raciocínio humano, que consegue simular vários modelos com relativa precisão, a sua natureza animal, que se preocupa com a evolução.

Acontece da seguinte forma: para pensar, o humano utiliza sua memória como biblioteca para acessar os padrões de comportamentos e as informações sensoriais que precisa para fazer suas simulações mentais. Estas simulações, uma cena imaginada por exemplo, são sentidas por seu instinto, e quando o instinto percebe que de alguma forma elas podem se tornar realidade, ele emite os mesmos sentimentos que emitiria no caso dela ser realmente realidade, na mesma intensidade que acredita que esta possibilidade seja real. Desta forma, quando o humano pensa algo ruim, por exemplo, seu instinto responde com sentimentos como raiva ou tristeza na mesma intensidade que acredita que isto realmente está acontecendo.

Após sentir estes sentimentos, a tendência será ele mudar sua linha de raciocínio para algo que não o faça sentir isto. De forma análoga acontece quando o humano pensa algo bom, contudo, ao invés de liberar sentimentos que o faça evitar, o seu instinto irá liberar os sentimentos que o fará querer permanecer na linha de raciocínio, como sentimentos de empolgação, felicidade ou afeto. É devido a este mecanismo que o instinto humano tem um razoável controle sobre quais pensamentos o humano terá mais probabilidade de ter, já que quando ele busca algo em sua memória, as simulações que serão estimuladas a ficar serão as que o faça se sentir bem ou sejam importantes para a sua evolução.

Esta característica do instinto emitir o sentimento a mesma medida que acredita na situação que está o estimulando é o que faz raciocínio ser capaz de influenciá-lo, ocorre da seguinte forma: diante de situações desconhecidas, o humano, de forma inconsciente, associa os elementos desconhecidos desta situação aos que ele já conhece, e é através disto que o seu instinto interpreta esta situação, emite os sentimentos condizentes a ela e a grava na memória. Porém, quando, devido a novos conhecimentos ou a outra linha de raciocínio, ele faz uma nova interpretação que percebe que os sentimentos emitidos pela interpretação anterior não condizem com a realidade, seu instinto tende a se adequar para produzir os sentimentos mais condizentes a ela. Desta forma, percebe-se que uma mesma situação interpretada de modos diferentes gera sentimentos diferentes.

Por exemplo: uma menina vê um sapo na rua. Este sapo, por algum motivo, corre atrás dela. Ao lembrar que sua mãe tem nojo de sapo, interpreta isto como um perigo e seu instinto responde com medo. Desta forma, ela desenvolve um sentimento por medo pelo sapo que fica gravado em sua memória. Sempre que ela vê ou pensa em sapos, sente medo e evita isto. Quando cresce, estuda biologia e aprende que não existe perigo nenhum com os sapos, embora seu instinto ainda sinta medo deles. Com o tempo, ela vai se acostumando a ver imagens de sapos em desenhos, depois na realidade, pois terá que estudá-los, e então o medo associado ao sapo é trocado por algum outro sentimento ou mesmo dissipado.

Este exemplo também está levando em consideração a memória que desenvolveu um trauma por sapos. Contudo, existem casos que apenas uma nova linha de raciocínio ou novos conhecimentos acerca da situação são o suficiente para mudar completamente o quadro de sentimentos que tal situação invoca. Por exemplo: uma garota vê seu namorado abraçando outra e sente ciúme, porém, ao descobrir que esta outra garota é irmã do seu namorado, o ciúme desaparece. Outro exemplo: um homem tem raiva do como realiza seu trabalho, mas, após refletir e buscar formas de melhorar isto, entende que aquele, mesmo sendo trabalhoso, é o melhor método de fazer as coisas que a realidade o permite, e a partir de então trabalha sem sentir a raiva de antes.

Ao entender e dominar esta dinâmica humana, que faz parte do processo de relatividade humana, é possível trabalhar tanto o instinto quanto o raciocínio ao ponto de minimizar ou resolver vários conflitos cotidianos, que diminuem o bem-estar, ou ainda obter entendimento para compreender algumas situações e buscar formas de melhorá-las. Assim, a psicologia evolutiva espera que este seja mais um conhecimento utilizado para trazer a boa qualidade de vida a todos.

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